Overreacted

Dê um nome e eles virão

March 29, 2019 • ☕️ 4 min read

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Você descobriu algo novo.

Você não tinha visto soluções como essa antes. Você tenta controlar seu ego e ser cético. Mas as borboletas em seu estômago não irão escutar.

Você não quer se deixar levar, mas no fundo no fundo você já sabe:

Você está nessa.

Essa ideia se torna um projeto. O primeiro commit são só 500 linhas. Mas em alguns dias, você construiu o suficiente para usar em código de verdade. Algumas pessoas que pensam como você se juntam e continuam melhorando. Você aprende algo novo sobre todos os dias.

Você ainda é cético, mas não pode fingir que não sabe:

Essa ideia tem asas.

Você encontra muitos obstáculos. Eles requerem que você faça mudanças. Peculiarmente, essas mudanças só deixam a ideia original mais forte. Normalmente, você sente que está criando algo. Mas dessa vez, parece que você está descobrindo algo como se já existisse. Você escolheu um princípio e seguiu até o fim.

Agora, você está convicto:

Essa ideia merece ser ouvida.


Se você trabalha em uma empresa burocrática, você possivelmente briga com o departamento jurídico para deixá-la open source. Se você é um freelancer, você provavelmente fica polindo-a até tarde da noite mesmo depois que o trabalho do cliente está pronto. Talvez você queria ser pago por isso. Mas ninguém sabe sobre seu projeto ainda. Você só está esperançoso para que um dia eles saibam. Um dia.

Você se prepara para seu primeiro release. Você escreve mais testes, configura o CI, cria uma extensa documentação. Você desenhou uma landing page bonita. Você está pronto para compartilhar a sua ideia com o mundo inteiro.

Finalmente, é o dia do lançamento. Você publica o projeto no GitHub. Você tweeta sobre isso e posta a landing page nos mais populares agregadores de notícia sobre open source.

git push origin master
npm publish

Você está ansioso para ouvir o que o mundo tem para dizer sobre sua ideia.

Talvez eles irão amar. Talvez eles irão odiar.

Tudo que você sabe é que merece ser ouvida.


Parabéns!

Seu projeto chegou na página principal de um agregador de notícias famoso. Alguém da comunidade com visibilidade tweetou sobre isso também. O que eles estão dizendo?

Seu coração naufraga.

Não é que as pessoas não tenham gostado do seu projeto. Você sabe que tem tradeoffs e esperava que as pessoas falassem sobre eles. Mas foi o que aconteceu.

Ao invés disso, os comentários foram muito irrelavantes para sua ideia.

A thread de comentários principal fala sobre o estilo de código em um exemplo do README. Vira uma discussão sobre indentação com centenas de respostas e uma breve história de como diferentes linguagens de programação resolveram formatações. Tem menções obrigatórias do gofmt e Python. Você já tentou usar o Prettier?

Alguém menciona que projetos open source não deveriam ter landing pages bonitas, por que isso é propaganda enganosa. E se um programador junior se engana sem entender os conceitos fundamentais?

Em uma resposta, alguém reclama que o design da landing page é entediante. Adicionalmente, está quebrado no Firefox. Claramente, isso significa que o autor do projeto não se importa com a open web. A web como conhecemos hoje está morrendo? É hora de um pouco de teoria dos jogos.

O próximo comentário é uma observação genérica sobre a natureza das abstrações, e como elas podem levar a muito “boilerplate” (ou, alternativamente “mágica”). A resposta principal é que não devemos confundir “simples” com “fácil”. Na verdade, Rich Hickey deu uma palestra muito boa sobre isso. Você assistiu?

Por fim, por que precisamos de bibliotecas? Algumas linguagens estão bem com uma biblioteca padrão built-in. O npm foi um erro? O acidente do leftpad poderia acontecer novamente. Deveríamos compilar o npm diretamente no navegador? E os padrões?

Confuso, você fecha a aba.


O que aconteceu?


Pode ser que a sua ideia não seja tão interessante quanto você pensou. Isso acontece. Pode ser também que você sua explicação tenha ficado fraca demais para um visitante pontual.

De qualquer forma, pode ter sido outro motivo para o qual você não teve um feedback relevante.

Nós temos a tendência de discutir o que é mais fácil de falar.

Experiências universais compartilhadas são mais fácil de falar sobre. Isso inclui tópicos como formatação de código, verbosidade vs mágica, configuração vs convenção, diferenças nas culturas das comunidades, escândalos, entrevistas sobre tecnologia, fofoca de indústria, macro-ftendências e opiniões de design. Nós temos um vocabulário em comum sobre todas essas coisas.

Nós também estamos constantemente correspondendo a padrões. Se algum padrão ativa alguma resposta emocional (seja relevante ou não para a ideia apresentada), nós iremos, provavelmente, nos basear na primeira impressão que tivemos. Aprender por associação é um atalho mental valiosíssimo. De qualquer forma, estilo familiar pode ofuscar a essência do romance.

Se sua ideia é realmente nova, provavelmente não existe vocabulário compartilhado para discutir ainda.

O problema que está sendo resolvido pode ser tão intrínseco que nós nem percebemos. É o elefante na sala. E nós não podemos discutir o que ainda não tem nome.


Como você dá um nome para um problema?

Da mesma forma que os humanos sempre fizeram.

Contando uma história.

Dê um nome, e eles virão.